50 anos de O Canto e as Armas, de Manuel Alegre
20 Mar 2017

Já está disponível para os leitores portugueses a edição comemorativa dos 50 anos de O Canto e as Armas, de Manuel Alegre, um livro singular na história da poesia Portuguesa contemporânea. Foi, porventura, o livro mais cantado: Adriano Correia de Oliveira, entre outros, cantou alguns dos seus poemas e gravou, em 1969, um álbum intitulado, precisamente, “O Canto e as Armas”. Foi o livro de uma geração mas, também, uma obra que se prolongou no tempo, enquanto voz de esperança por uma pátria livre e também enquanto denúncia da opressão política da ditadura salazarista, da guerra colonial, da emigração e do exílio, a que muitos portugueses, como o próprio poeta, foram condenados. Foi, além disto tudo, um livro premonitório – numa das quadras de POEMARMA podemos ler: Que o Poema seja microfone e fale / uma noite destas de repente às três e tal / para que a lua estoire e o sono estale / e a gente acorde finalmente em Portugal.


Em O Canto e as Armas, que a Dom Quixote agora reedita, na opinião de Urbano Tavares Rodrigues, é “a dignidade de Portugal que se levanta em palavras, sem um só inchaço de retórica balofa, antes com uma inventiva verbal constante, como achados em que o próprio fulgor conotativo ateia a emoção.”


A nova edição vem "reforçada" com um prefácio de outro grande autor, Mário Cláudio, de que aqui publicamos um excerto:


«Calhou-me dialogar com O Canto e as Armas nas bolanhas da Guiné onde cumpria a minha comissão de serviço militar obrigatório, e no verbo «cumprir», e no adjectivo “obrigatório”, não pouco se insinuará do animus que terá comparecido à leitura. Não se tratando de uma proposta “neonefelibata”, igual às que aliás informavam boa parte da poesia que nesse tempo se ia escrevendo na chamada “Metrópole”, o texto de Manuel Alegre engastava o “espírito” no exacto lugar que o segregara, e onde o subscritor destas linhas se encontrava. Eu estava numa guerra, e numa guerra injusta, na qual muitos se envolviam desmotivadamente, como estaria qualquer leitor de Moby Dick a bordo de um baleeiro de Nantucket, e em busca do Leviatã branquíssimo, ou de Guerra e Paz na estepe gelada da Campanha da Rússia, e sob o comando de Napoleão.»

 
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